1987: Primeiros Passos no Concreto Brasiliense

O asfalto da Asa Sul, sob o sol do meio-dia, irradiava um calor que chegava até os joelhos do pequeno Senhor Capivara, enquanto ele tentava equilibrar-se entre as pedras portuguesas do comércio local. O cheiro de pão de queijo recém-saído do forno das padarias de bairro era a âncora olfativa que guiava seus passos vacilantes em direção ao desconhecido.

Brasília, em 1987, ainda guardava a pureza de suas linhas originais, onde as árvores das superquadras eram sentinelas verdes protegendo o descanso de famílias que sonhavam com o amanhã. O som das cigarras, um coro elétrico e onipresente, era a trilha sonora natural que mascarava o silêncio vasto do Planalto Central no auge da seca.

Suas mãos pequenas tocavam a textura áspera do concreto aparente, uma materialidade que moldava sua percepção de mundo como algo sólido, imutável e monumental. A infância começava a ser desenhada não em jardins de terra, mas em vastos vãos livres e horizontes que pareciam nunca terminar.

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